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The Secrets of Madeira embroidery
The Madeira embroidery has always been part of my life. It accompanied me through the curiosity of my childhood, in search of hidden treasures in the house cabinets of my parents, in the bed sheets offered as a wedding gift, in the baptism suits of my children and in the table cloths of my home, whenever we celebrate special days.

I never set out to understand the value that is hidden in a piece of Madeira embroidery. Not that I did not like manual labour, but only because Madeira embroidery was considered difficult, time consuming and inaccessible to my inexperienced hands. And so I decided it was time to learn by participating in a workshop of Madeira embroidery.
Bordal organizes workshops of Madeira embroidery every week and in one of these thursdays, I joined a group of ladies with the same purpose: to learn to Madeira embroider.
Bordal was founded in 1962. There is, in store, a historic route that leads us through the manufacturing process side by side with 150 years of history reflected in the (awesome) photographs accompanying the visit.



History of Madeira Embroidery
Embroideries have always existed in Madeira, whether in the hands of nobles, to decorate the house or in decorative pieces in churches and convents.
In 1850 there was an exhibition of Madeira industries, held in the Palace of S. Lourenço leading to madeira embroidery commercial use. The artistic perfection of Madeiran embroidery is also present in the Universal Exhibition, which takes place the following year in London. Madeira embroidery then begins to be produced on a large scale by the hands of Miss Elizabeth Phelps (Largo Phelps, in the Funchal city center, has the name of the family), who opens an embroidery school in her home.

Exporters specialized in their trade start to appear in Madeira. English, German and later American and Syrian are the main target markets. Currently the largest export markets are the United States, Italy and England.
The Workshop
Madeira embroidery goes through 6 different phases:
1.It begins with the designer using tracing paper to give wings to creation.
2. The design is passed to the shredder that will shred the greaseproof paper previously drawn.

3. The design is printed on the fabric (the most commonly used fabrics are linen, silk, cotton and organdy) using a special blue dye, with the help of a “ball” (made of cotton) which goes through the small holes and marks the tissue areas to be embroidered.
4. The piece is then sent to the embroiderer.
5. When finished embroidering, the piece returns to the factory, where it is checked, trimmed, washed and ironed.

6. The embroidery is certified with the seal of approval, which testifies to the quality and authenticity of the piece, by the Wine Institute Embroidery and Crafts Madeira.
Dª Gilberta was my teacher and to see her embroidering is, in itself, worth of the visit. She told me that her favorite technique is ‘matiz’, she says that sometimes, when she sits down to embroider, she transcends to a world of creativity that makes her happy and that is visible in what she does. She told me that in the classic Madeira embroidery was done in white or light blue lines and later in bege.

With much patience and a sense of humor, there we were learning the rope point, Garanito (my favorite), the shadow point, bastido point and ‘matiz’.
I learned the ‘Urdir’ verb (which is to give several points in the drawing area to give it relief) and after embroidering and chatting over two hours we finished our class.
I must tell you that Madeira embroidery is not as easy as it may seem at first glance, it requires rigor and talent but with dedication and work, (like everything worthwhile in life) you get there.
They told me that for the first time, it was not bad… and I was happy to have learned a new art, moreover, a tradition of my island, which I hope is not lost.

After that the embroidery is washed in a sour salt water (to remove the blue ink) and ironed, in the old fashioned way, no steam.

Conclusion:
This experience allowed me to understand that Madeira Embroidery is not only used to beautify the fabric but a way to customize a piece of art and pass it through the generations. The secret of Madeira Embroidery is that Madeirans have a special talent, transmitted from mothers to daughters. That’s why the Channel House requested the collaboration of Bordal to elaborate their collars of Madeira embroidery.
The secret of Madeira embroidery is that the Madeiran have “fairy hands” that you can’t find elsewhere in the world! ;).
Bordal is located on Rua Fernão de Ornelas, nº 77 in Funchal.
My special thanks to Susana Vacas and to all her team who guided me through the workshop.
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Os segredos do Bordado Madeira
O bordado Madeira fez sempre parte da minha vida. Acompanhou-me na curiosidade da minha infância, à procura dos tesouros escondidos na arca do corredor da casa dos meus pais, nos lençóis oferecidos para o enxoval do meu casamento, nas mantinhas e fatos de batizados dos meus filhos e na mesa de jantar da minha casa, sempre que celebramos dias especiais.

Nunca me propus a compreender o valor que está escondido numa peça de bordado madeira. Não que não gostasse de trabalhos manuais, mas apenas porque o bordado madeira era considerado difícil, moroso e inacessível a umas mãos inexperientes. E como quem não sabe é como quem não vê, decidi que era altura de aprender e participar num workshop de Bordado Madeira.
A Bordal organiza workshops de Bordado Madeira todas as semanas e numa destas 5ªs feiras lá me juntei a um grupo de senhoras com o mesmo propósito: Aprender a bordar.
A Bordal foi fundada em 1962. Existe na loja um roteiro histórico que nos leva a ver o processo de fabrico lado a lado com 150 anos de história refletida nas fotografias (incríveis) que acompanham a visita.



História do Bordado Madeira
Os bordados sempre existiram na Madeira, quer pelas mãos das fidalgas, para decorar as roupas da casa quer em peças decorativas das Igrejas e Conventos.
Em 1850 houve uma exposição das indústrias madeirenses, realizada no Palácio de S. Lourenço que leva o bordado à comercialização. A perfeição artística dos bordados madeirenses fazem com que a Madeira esteja presente na Exposição Universal, que decorre no ano seguinte em Londres. O bordado começa então a ser produzido em larga escala por Miss Elizabeth Phelps (o largo Phelps, no centro do Funchal, tem o nome desta família), que abre uma uma escola de bordado na sua casa.

Começam então a aparecer exportadores especializados no seu comércio. Os ingleses, alemães e mais tarde os norte-americanos e sírios são os principais mercados alvo. Actualmente os maiores mercados de exportação são os Estados Unidos, Itália e Inglaterra.
O Workshop
O bordado Madeira passa por várias 6 fases:
1.Tudo começa pela desenhadora que usa o papel vegetal para dar asas à sua imaginação.
2. O desenho é passado ao picotador que vai picotar o papel vegetal desenhado.

3. O desenho é estampado no tecido (os mais comuns são linho, seda, algodão e organdi), usando uma tinta azul especial, que com a ajuda de uma “bola” (feita de algodão) vai passando nos pequenos furos e vai marcando no tecido as áreas que deverão ser bordadas.

4. A peça é enviada para a bordadeira.
5. Quando terminado o bordado, a peça regressa à fábrica, onde é verificada (por vezes é necessário desmanchar pontos e voltar a fazer), recortada, lavada e passada a ferro.

6. O Bordado é certificado com o selo de garantia, que testemunha a qualidade e autenticidade da peça, pelo Instituto do Vinho do Bordado e do Artesanato da Madeira.
Seguiu-se então a aula de bordado. Foi-nos dado um lencinho com o desenho estampado, agulha e linha cor de rosa para bordar.

A dª Gilberta foi a minha professora e vê-la bordar faz, só por si, valer a pena a visita. Ela contou-me que o seu ponto preferido é o matiz, diz que às vezes, quando se senta a bordar este ponto, transcende a um mundo de criatividade que a deixa feliz e que é visível naquilo que faz. Disse-me também que no início o bordado era feito a linha branca, azul claro ou cinza e que mais tarde é que se passou a usar o bege.

Com muita paciência e sentido de humor, lá nos foi ensinando o ponto corda, o garanito (o meu preferido), o ponto sombra, o bastido e o matiz.
Aprendi o verbo ‘Urdir’ (que é dar vários alinhavos na área do desenho para dar relevo) e lá fomos urdindo, bordando e conversando ao longo de 2 hora, que passaram a correr.
Digo-vos que fazer bordado madeira não é nada fácil, como possa parecer à primeira vista, exige rigor e muito talento mas com dedicação e trabalho, (como tudo o que vale a pena na vida) chega-se lá.
Disseram-me que para a primeira vez, não estava nada mal…e eu fiquei feliz por ter aprendido uma nova arte e uma tradição da minha Ilha.

Terminado o bordado, seguiu-se a lavagem em água de sal de azedas (para retirar a tinta azul) e o engomar, com ferros de engomar, à moda antiga, nada de vapor.

Conclusão:
Esta experiência permitiu-me compreender que fazer Bordado Madeira não é apenas embelezar o tecido mas sobretudo uma forma de personalizar uma peça de arte, através de sucessivas gerações.
O segredo do Bordado Madeira é que as Madeirenses têm um talento especial, passado de mães para filhas. Não foi por acaso que a marca Channel pediu a colaboração da Bordal para elaborar as golas de bordado madeira para o seu desfile… é que as madeirenses têm “mãos de fada” que não se encontram em mais lado nenhum ;)…

A Bordal fica na Rua Fernão de Ornelas nº 77, no Funchal. Experimentem e não deixem morrer esta tradição tão bonita :).
Os meus agradecimentos à Susana Vacas e a toda a sua equipa que tão gentilmente me guiou, na visita à Bordal. [:]

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