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Sensibilidade, PRECISA-SE!

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Ainda há dias, quando fui buscá-lo à escola, virou-se para mim e perguntou-me:

-Mãe, por acaso há alguma escola na Madeira que só tenha meninos bons?

-O que queres dizer com isso; meninos bons ?

-Tu sabes, daqueles que não empurram os outros para fora da fila para ficar à frente, que emprestam o afia-lápis e a borracha, que brincam connosco em vez que gozarem de nós….é que se houver eu queria mudar para lá.

Fiquei a pensar naquela pergunta e no que haveria de responder…

A verdade é que o Mundo é feito desta variedade de pessoas e é na escola que (supostamente) aprendemos a lidar com a vida “lá fora”.

Não ía mentir, foi isso que lhe respondi.

Mundo onde vinga a lei do mais forte.

Onde as pessoas valem pela profissão que têm, pela coisas que possuem e não as histórias que trazem consigo (até porque nem há tempo para ouvi-las). Andamos todos sem tempo, a viver uma correria desenfreada do trabalho para casa, a viver de fim-de-semana em fim-de-semana ou a viver para o trabalho ( porque trabalhar faz esquecer e ocupar a cabeça).

Esse modo piloto automático, para o qual somos formatados que acaba por ser confortável para quem não tem sensibilidade, coragem ou não quer ver, que isso não é viver, é morrer sem pressa.

“Cuidado com o que dizes” “Não sejas tão sincero” “Finge que estás bem” “Não ligues” “Tens que aguentar” “Ignora” “Vai correr” “Toma uma bebedeira” “Fuma um cigarro que já acalmas” “Esquece”

Chamem-me imatura, sonhadora, ridícula, mimada, criança enfim tudo o que um adulto não deve ser.

Mas, ai, se houvesse uma escola onde só houvesse meninos bons, tal como um Mundo onde a sensibilidade nos desse a melhor “nota” era para lá que eu ía morar. Admito.

“Uma pessoa que não tenha sido completamente alienada, que se manteve sensível e capaz de sentir, que não perdeu o sentido de dignidade, que ainda não está” à venda “, que ainda consegue sofrer com o sofrimento dos outros, que não adquiriu integralmente o modo de existência – por pouco tempo, uma pessoa que se manteve uma pessoa e não se tornou uma coisa -. não pode deixar de sentir-se sozinho, impotente, isolado na sociedade atual. Ele não pode deixar de duvidar de si mesmo e das suas próprias convicções, se não da sua sanidade. Ele não pode deixar de sofrer, mesmo que experimente momentos de alegria e clareza que estão ausentes na vida de seus contemporâneos “normais”. Não é raro, que ele sofra de neurose que resulta da situação de, um homem são vivendo numa sociedade insana, em vez do que a da neurose mais convencional de um homem doente tentando adaptar-se a uma sociedade doente. “

Erich Fromm, psicanalista que viu pessoas como determinadas pela sua sociedade, e principalmente por seus sistemas económicos.

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This blog talks about the island where I was born and live - Madeira, and my endless journey to discover the world until (one day, who knows) I get to visit Mars.

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