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“O segredo” das relações à distância

Há dias sugeriram-me, em jeito de pedido, que escrevesse sobre relações à distância.
Fiquei a pensar no porquê daquele pedido. Não sou especialista em relacionamentos, nem de perto nem de longe, mas ao longo da minha (ainda curta) vida, tive relacionamentos, que embora longe de perfeitos, me têm ensinado algumas coisas. Hoje, partilho convosco.

1. Não há distância física, apenas emocional.
É verdade. Lembro-me que me perguntavam, qual seria o futuro de um relacionamento à distância. Eu respondía-lhes com outra pergunta:
– Quantos km de distância são aceitáveis para começar qualquer relacionamento? A verdade é que no ínicio, nunca se sabe, ou se tem vontade de arriscar ou não. Em vez de pensar no que pode dar errado pensem no que pode dar certo. Há pessoas que vivem na mesma casa e tão distantes uma da outra…

2. Os relacionamentos dão trabalho, ou se nutrem ou morrem.
Dá trabalho. Há quem diga que se dá trabalho não é amor, não subscrevo. O amor dá trabalho, mas quem corre por gosto não cansa, ou melhor, cansa mas compensa a ponto de não parecer cansaço.
Devido à distância física, torna-se imperativo meter-se num avião com frequência, mesmo com mau tempo, mas acima de tudo alimentar a alma e divertirem-se juntos – principalmente dentro de casa.

3. É preciso comunicar; dialogar não monologar
Há qualquer coisa de errado numa relação que não discute, como também o há numa relação que discute sempre. Quando só se comunicam pequenos nadas, quando não faz ricochete, quando o outro encolhe os ombros e vira a cara para a televisão… é porque não há vontade de lutar. Uma relação é feita de 2 pessoas, tem que haver vontade de dialogar, quer seja por mensagem, telefone, fotografias, videos, skype, watsap ou cartas no correio, mas sobretudo e principalmente, cara a cara.

4. Tem que “haver tempo”

O tempo é uma coisa que se arranja. Dizer que não se tem tempo é o mesmo que dizer eu não quero.

5. A nossa liberdade acaba quando a do outro começa

Não se pode obrigar ninguém. Lá porque eu gosto, o outro não tem de gostar, lá porque eu penso assim, o outro não tem que pensar da mesma forma e vice-versa. No meio disto, há muitos cinzentos e poucos pretos e brancos. Respeito acima de tudo e sobretudo um pelo outro.

6. A causa de dôr num relacionamento vem do apego
Esta ideia preconcebida dos contos de fadas côr de rosa…de que tudo deve ser como queremos que seja e aquele desejo de ter tudo sob controlo… Há que deixar correr, saber desapegar; ao nosso lado pode ser outra pessoa ou a mesma a vida toda. Há que aprender a estar sozinho e gostar da nossa própria companhia, isto aprende-se – a vida ensina a quem estiver interessado.

7. A vida é aquilo que se faz dela.
Não há cartas, nem bruxas, nem pózinhos de pirilim pim-pim. Só tu decides o teu destino, a única coisa que podes pedir aos anjinhos é que te dêm saúde para conseguires andar por aqui, muito tempo. A saúde mental e física é o bem mais precioso, de certeza absoluta.

8. A imaturidade não tem lugar nos relacionamentos.
Os ciúmes, a insegurança e os “fantasmas do passado” são o maior cabo das tormentas dos relacionamentos. Acabem com isso. Boa sorte.

9. Não há maior riqueza do que o “sentir-se desejado, amado e cuidado”
As nossas escolhas na vida deveriam ser comandadas por esta frase, não há dinheiro ou felicidade maior que isto. O apego aos bens materiais é por vezes tanto, que cega a razão.

Daqui a trinta anos, se calhar, a minha visão dos relacionamentos será diferente.
Vou olhar para “o segredo” que escrevi e achar que foi uma “ treta”.
Afinal, falar é fácil, fazer é outra história.

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This blog talks about the island where I was born and live - Madeira, and my endless journey to discover the world until (one day, who knows) I get to visit Mars.

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