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(Português) A viagem a Calcutá. Insónia.

 

Hoje não consigo dormir. É uma daquelas noites em que o calor, a humidade, a roupa colada ao corpo e o barulho do ar condicionado se tornam intoleráveis.

Depois há as imagens que me varrem os pensamentos…

O olhar vazio daquela menina no orfanato, a criança descalça cujas pernas arqueadas gritavam subnutrição, o cão que me lambeu a mão e tinha um corte profundo na sobrancelha, a vaca que caminhava perdida por entre os carros, os macaquinho bébé agarrado à sua mãe acorrentada e o barulho que não quer sair dos meus ouvidos do trânsito nesta terra.

Calcutá é para os fortes, os que perante o desespero não desistem, (hoje após 20 minutos a tentar apanhar um taxi, apeteceu-me desistir e voltar para casa) para os que batem o pé e regateiam, para os que empurram com mais força para entrar no metro, para os que mesmo suando em bica conseguem fazer o seu trabalho com um sorriso.

São milhões, 35 milhões? Nem sei ao certo. São muitos, não há ruas vazias, nem espaços por completar. Há multidões de tudo e no meio do tudo há também solidão.

Tem sido uma experiência difícil mas enriquecedora. Acho que isto é que é viajar.

Fugir da nossa realidade estéril e dar de caras com um mundo novo.

Dá-me vontade de viver (ainda) mais.

Beijos e saudades

Sofia

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