Meet the locals, Travel to Madeira
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From Madeira to Mars meets …Pedro Farto

Pedro Farto, um local “emprestado”, é assim que se intitula a si próprio , quando lhe peço para aceitar este desafio…:)

Conheço-o desde cá chegou, era e é, um grande amigo do meu irmão, que rapidamente passou a ser da família .

Sempre bem disposto, apreciador de um bom convívio, consegue sempre arrancar umas gargalhadas à mesa com amigos e no final despede-se com aquele abraço…

Sem mais demoras, e com muito gosto, aqui fica o seu testemunho.

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“Nasci em Sines onde vivi até aos 18 anos quando fui estudar para Lisboa. Por lá fiquei mais 4 anos até concluir o curso de Publicidade & Marketing no IADE.

Em 1996 tive uma proposta para vir jogar Hóquei em Patins para a Madeira e como costumo dizer “Fui comprar tabaco e nunca mais voltei”…

Por cá desenvolvi uma das minhas paixões, o design gráfico, e depois de uns primeiros trabalhos de freelancer fui ficando na Empresa de Cervejas da Madeira, onde trabalho como criativo há 16 anos.

Apaixonei-me por esta ilha.
O facto de poder dar um mergulho no mar, praticamente todos os dias do ano, foi determinante.

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É o meu maior argumento quanto me perguntam: “Então mas não voltas para cá (lá) ?”

Antes mesmo, dos mergulhos, dos intermináveis meses de sol e temperatura amena, só mesmo os amigos fantásticos que por cá fui fazendo, literalmente, desde os primeiros dias em que cá cheguei.

É bom viver aqui, meus amigos.
Entre os 7 minutos que demoro a chegar ao trabalho, sempre à beira-mar e as horas de almoço dentro de água …entre os fins de tarde nas esplanadas e as noites longas e quentes de verão…não falta muita coisa a esta pequena ilha.

Numa palavra: “Lifestyle”.

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1. O teu Esconderijo secreto?

Não lhe chamaria tanto um esconderijo mas é definitivamente um Retiro.

O Cais Pequeno ou Cais dos Namorados. Construído nos anos 50, pertencente à antiga Quinta Calaça, hoje Clube Naval do Funchal.

O tempo pára nesse sitio. A calma é absoluta.
Não raras vezes, dou por mim sem palavra.
E se estiver uma ligeira brisa de Este… acreditem que, dificilmente existe melhor sitio para estar.

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Clube Naval do Funchal

 

2. O teu restaurante preferido?

Não consigo eleger só um, mas as minhas sugestões vão quase sempre para a Doca do Cavacas, quando falamos de petiscos do mar.

Em relação às carnes, gosto muito da espetada no Polar e do entrecosto da Vista de António.

Em qualquer um dos casos, sempre bem acompanhados com a boa cerveja local.
De qualquer maneira, se tiverem 100 euros perdidos lá em casa não percam o Villa Ciprianni junto ao Hotel Reid’s.
Apesar de ser um restaurante italiano, foi das melhores refeições que já tive na Madeira, tanto gastronomicamente, como pela vista sobre a baia do Funchal.

 

3. O melhor cenário?

É uma pergunta quase impossível, numa ilha com esta beleza natural. Não há um melhor cenário mas vários.

A mim o que mais me marcou, foi uma viagem às Ilhas desertas.
Quando vi aquela encosta pela primeira vez, percebi o que terá sido a sensação dos descobridores quando descobriam terra.
Absolutamente virgem, cru, inviolado. Arrebatador.

Ilhas Desertas

Ilhas Desertas

 

Voltando à ilha Mãe, gosto sempre de passar na Encumeada, aquele vale e as suas nuvens impressionam-me sempre.

O por-do-sol no Maktub também é qualquer coisa de maravilhoso.

4. O ponto de encontro?

Tendo um grupo de amigos com tendência a “despachar” 20 imperiais em hora e meia o nosso ponto de encontro sempre foram Pubs/Tascas/Cervejarias.

Ultimamente temos elegido o White House.
A cerveja é barata, o atendimento é simpático e estão sempre a dar pelo menos 2 jogos de futebol.
Entre muitos turistas e locais vamos fazendo ali a festa, num pub tipicamente inglês ou se quiserem um sports bar (Nem que seja por ter uns 200 cachecóis de cubes de futebol como decoração).

Com mais tempo, um grande ponto de encontro é a Taberna da Poncha na Serra D’água.
No fim do dia é muito concorrido e ao fim da segunda poncha toda a gente fala com toda a gente.
Eu, pessoalmente, começo logo a cantar o “You will Never Walk Alone” e tento que hajam coros tipo estádio de futebol. Socializar é ali.

5. Para sair à noite?

O percurso varia muito. Depende do programa, do sitio do jantar e de onde deixar o carro, de maneira a só o ir buscar no outro dia.

Normalmente, começo na zona velha e vou passando por 3 ou 4 sítios (Living Room ; Tender ; Sneakers) até chegar ao Marginal.
O que interessa no meio disto tudo é chegar ao Marginal.
A música é a melhor da cidade, os shots de fruta são divinais e o ambiente é por vezes mágico.
Um misto de Woodstock meets Boom. O som (qualidade de som) é maravilhoso, leva-te aquele ponto em que é impossível estar parado. Potente.

 

6. Às compras?

Gosto sempre de me perder ali pela zona da Sé. Tem locais agradáveis para comer e quase tudo o que preciso.

Além de ter ruas lindíssimas, encontram-se durante grande parte do ano boas oportunidades e afasta-nos sempre dos enfadonhos Shoppings Centers.

7. 5 sítios a não perder na Madeira?

(Não estava a perceber se isto era a pergunta 7.5 ou se eram 5 sítios a não perder)
Ok. Basicamente todos os referenciados nas perguntas anteriores.
Ok. Vou ser mais especifico:

1. Desertas – Se tiver a oportunidade vá. Há barcos que fazem esse passeio com almoço incluído . O ideal é mesmo tentar ficar de um dia para o outro.

2. Fajã dos Padres – De barco ou de elevador é um sitio ideal para passar um ou dois dias. Lembra um bocado as desertas, mas com um cais de acesso e um restaurante (bom por sinal).

Fajã dos Padres

Faja dos Padres

3. Ribeiro Frio – É um sitio onde raramente vou mas lembro-me sempre de várias manhãs que passei lá em trabalho junto ao ribeiro. A pequena ribeira e a floresta envolvente fazem um sitio mágico, quase saído de um conto de fadas.

4. Jardim do Mar – Só há pouco tempo descobri os seus encantos mas não tenho duvidas em afirmar que é a mais bela localidade da ilha.
Uma pequena vila piscatória com ruelas labirínticas e encantadoras.
A população flutuante é muito interessante e não raras vezes encontramos suecos, polacos, brasileiros, americanos que estão ali por causa das excelentes ondas do Jardim.
A vida corre devagar naquele sitio.

Jardim do Mar

Jardim do Mar
http://www.flickr.com/people/pfarto/

 

5. Ponta de São Lourenço/Prainha – É, a par da Encumeada, um cenário arrebatador também.
A costa Norte, a sua imponência praticamente virgem. Vale sempre a pena uma ida a esse miradouro.
Perto, temos uma das poucas praias de areia da ilha. Recatada e acolhedora dá para matar as saudades das minhas praias alentejanas.

 

8. O que significa para ti “bem madeirense”?

Apesar de não ser madeirense, posso depois de 17 anos aqui, falar com algum à vontade.

O convívio, a amizade, o estar sempre pronto para a festa ou para ajudar. Não conheço essa disponibilidade em muitos mais sítios.

A verdade é que sempre fui muito bem tratado aqui e o resultado desse tratamento é esse carinho especial por estas gentes.

Não há “tempos mortos” nesta ilha.
Há sempre sempre qualquer coisa para fazer. Costumo dizer que é a terra das festas e isso reflete-se na “movida” que impera durante todo o ano.

Alegria, convívio, amizade.

Que me perdoem os madeirenses se não estiver a chegar lá, mas é esta minha ideia de “bem madeirense”.

9. A tua Viagem de sonho?

É dificil defini-la. Dos sítios onde já fui a Argentina (Buenos Aires e Andes) marcaram-me muito.

Nova Iorque marca sempre. Bolonha e os seus mercados. Firenze quase como se de um teatro de marionetas se tratasse.

Roma é mágica, tão acolhedora. Posso ir lá 20 vezes que nunca me vou aborrecer.

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“Viajar é a única coisa que te faz mais rico” . Absolutamente.

A que está por fazer, e é sempre sempre a cidade que me vem à cabeça, Tóquio.

Nem vou mencionar mais nenhuma. Tenho que ir a Tóquio.

 

Muito Obrigada, caro amigo.

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http://instagram.com/farto 🙂

 

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